sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Uma, ela. Prostituta.




O que queria
nunca devia,
o que sou
talvez nunca sobrou.
Vidas são gastas
a minha foi uma delas,
serei sempre aquela que afasta
fui crescida nas favelas.
"Prostituta, com orgulho".
por que foi o que restou
os toques foram necessários
e ninguém se importou.
Não é fácil,
queria dizer "era"
quem me dera
nesse planeta ou esfera
que fosse eu aquela donzela.
Não fui, não sou.
Nem consigo distinguir
o que sobrou.
Minhas palavras não são frias,
o coração ainda dói
ao som das palavras "puta"ou "vadia".
É que machuca
e eu já sou machucada todos os dias
para ouvir que sou eu
essa tal mulher da vida.
Que vida?
é fácil abrir as pernas?
um estranho te tocar
ter que ouvi-los sussurrar
as nojeiras que infelizmente
eu tenho que suportar.
Não tenho casa, nem família
Aguento e aguentei
pra ouvir que sou vadia.
quis chorar mas me calei
As dores de criança já perdi 
as de adulto consolei.
Vadia, vadia, vadia!
É o que você é!
Não sou!!
não é pra isso que carrego tanta dor.
No meu lugar ninguém se coloca
mas são os primeiros a me virarem as costas.
Tá pensando que é fácil?
é fácil?
ser feita de capacho
é fácil? 
Vadia eu não sou!
e digo com muita dor,
Sou prostituta
Essa prostituta sofrida
usar palavra que me faz de nada
já aviso que não precisa.
Pois acredite, meu filho
que já desejei tanto a morte
para hoje carregar esse titulo
eu,
distorcida 
confundida
sempre contida
e mal entendida
termino hoje com um titulo ... mulher da vida.
outra pessoa sem sorte.

- Mayara Ferreira.




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